Golo de Mamadu Djaló, apontado quando o Belenenses jogava momentaneamente reduzido a dez unidades, por lesão de um seu central. Na zona de entrevistas, espaço para os comentários dos treinadores Jorge Faria (Real) e Bruno Pinheiro (Belenenses).

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Entrou melhor o Belenenses, mais consistente no meio-campo, não tardando a ganhar o primeiro canto da partida. Os argumentos do Real eram diferentes e passavam sobretudo pela mobilidade e velocidade dos seus elementos mais ofensivos, como se viu no ataque rápido gizado entre Marcelo Lopes e Tiago Bernardo, aos 8 minutos. Mesmo assim os lances mais garridos continuaram a ser exclusivo belenense, como os que foram protagonizados por Fábio Sturgeon, aos 21 e 24 minutos, ou o imbróglio que foi, para guarda-redes e central, subrair o esférico à influência de Gonçalo Gregório, aos 31.

Nos últimos dez minutos da primeira parte assistimos a um inverter de papéis, com o Real a conseguir aliar a velocidade a uma boa circulação de bola. Miguel Cardoso rematou à figura aos 37 minutos e num momento de entusiasmo, fruto da combinação entre Mamadu Djaló e Marcelo Lopes, a meia-distância surgiu, mas com má direcção. Em cima do intervalo o Belenenses esteve à beira de ripostar quando Tiago Fernandes sofreu falta já perto da área, em zona frontal, só que o livre foi mal concretizado.

À entrada para a segunda parte o Real deu continuidade ao que tinha posto em prática no final da primeira. Excelente o cruzamento de Mamadu Djaló para Miguel Cardoso, que em boa posição não conseguiu mais do que ganhar canto. Ultrapassado este susto, com uma duração total de cinco minutos, o Belenenses retomou o controlo das operações, ora ganhando canto, por Gonçalo Gregório, ora rematando Edi Oliveira para defesa do guarda-redes, até ao momento em que o central Nuno Neves se lesionou com alguma gravidade e teve de sair, para ser assistido. Na sua ausência, com o Belenenses reduzido a dez unidades, e num momento de entusiasmo colectivo, aproveitou o Real para fazer o 1-0.

Resolvido o problema na defesa, uma vez que Nuno Neves não estava fisicamente em condições para continuar, sendo substituído por Diogo Silva, e refrescado o ataque com a introdução primeiro, de Miguel Lopes, depois de Gonçalo Barroso, o Belenenses não tardou a retomar o domínio das operações. Ganhou muitos cantos, o perigo nunca andava longe da baliza contrária, mas o remate certeiro esse é que não surgia, embora o de Tiago Fernandes aos 82 minutos tenha saído perto.

Quanto ao Real, esse continuou na sua rotina, concentrado na sua defesa, mas apostando sempre num 4x4x2 losango, de avançados bem abertos nas pontas e com Marcelo Lopes no papel de médio móbil de apoio ao ataque. Só perto do final mudaram para um 4x1x3x2, quando Marcelo Lopes passou a extremo direito, após a saída de Tiago Bernardo, com o recém-entrado Fábio Faísca a ter um papel mais fixo no meio-campo. Ironicamente, numa das raras incursões após o 1-0, a contagem até podia ter sido aumentada quando Tiago Bernardo, pouco antes de sair, e a passe de Mamadu Djaló, cabeceou e a bola tabelou no topo da barra.

Alguns nomes a reter da partida, começando pelo Real. Da defesa, homogénea, recordaremos Vasco Coelho pela forma como geriu a investida do belenense Gonçalo Gregório, que mencionámos atrás. No meio-campo, o dinamismo de Mamadu Djaló foi a grande referência, além de ter sido ele o marcador do golo. Chegando ao ataque, Miguel Cardoso foi senhor de uma classe especial.

Quanto ao Belenenses, e começando pela defesa, temos a destacar a concentração de João Soares. No meio-campo, batalhador, impôs-se João Pinto, com uma menção honrosa para Tiago Fernandes. Numa óptica mais atacante, para além do já clássico Fábio Sturgeon, Edi Oliveira esteve também muito em foco.

Campo nº 2 do Real (Massamá, Queluz), 23 de Março de 2013, 15:00 horas.
6ª Jornada do Campeonato Nacional Juniores da 1ª Divisão (2ª Fase, Manutenção/Descida, Zona Sul), 2012/2013.
Sob a arbitragem de Hugo Silva, auxiliado por Raúl Silva e Hugo Ribeiro (AF Lisboa), as equipas alinharam:
Belenenses: 1- Ricardo Fernandes; 2- David Carvalho, 3- Nuno Neves "cap." (13- Diogo Silva, aos 69'), 4- Pedro Torrado e 5- João Soares; 6- Tomás Gregório, 7- Edi Oliveira (18- Gonçalo Barroso, aos 80'), 8- Tiago Fernandes e 9- Gonçalo Gregório (17- Miguel Lopes, aos 66'); 10- João Pinto e 11- Fábio Sturgeon. Treinador: Bruno Pinheiro.
Real: 1- César Paules; 2- Marcelo Féria "cap.", 4- André Almeida, 5- Vasco Coelho e 6- Rúben Marques; 7- Miguel Cardoso, 11- Mamadu Djaló, 13- Fábio Aranda (15- Iuri Gomes, aos 80') e 17- Marcelo Lopes (8- Fernando Gonçalves, aos 90+3'); 18- Tiago Bernardo (19- Fábio Faísca, aos 83') e 25- Vincenzo López. Treinadores: Jorge Faria e Filipe Antunes.
Golo: 1-0, Mamadu Djaló (61').
Acções disciplinares: amarelos para Mamadu Djaló e César Paules (Real); David Carvalho (Belenenses).
Observação: com a saída de Nuno Neves, aos 69', a braçadeira de "capitão" passou para Tomás Gregório (Belenenses).